
Introdução
Desde a antiguidade, a humanidade tenta identificar e desvendar os segredos da mente humana. Sem dúvida, a memória é um dos mais intrigantes. Por milênios, ninguém conseguiu entender essa incrível habilidade de armazenar e evocar informações. Parece até magia, mas hoje a ciência consegue entender um pouco mais sobre como esse processo ocorre.
Abaixo, você entenderá mais a respeito de como as memórias se formam, como usar ao máximo esse processo e como otimizar o seu uso para memorizar o que você quiser para ter na ponta da língua.
Como a memória se forma?
A memória se forma por um processo biológico no cérebro. Ela ocorre por meio de trocas e transmissões de neurotransmissores nas sinapses (pontos de encontro em que neurônios trocam informações), conectando-se com redes neurais e formando um ecossistema completo.
Existem diferentes tipos de memória. A memória de curto prazo e a de longo prazo. A primeira pode ser chamada também de “memória de trabalho” e serve para decorar um número de telefone ou uma lista de compras de supermercado. Essa é o tipo de memória mais prática e é fundamental para nossa vida. Como seu nome diz, ela é curta e grande parte dela se desfaz em poucos minutos.
Porém, algumas podem se transformar no segundo tipo de memória. As memórias de longo prazo são duradouras, podendo durar anos, décadas ou até a vida inteira. São fundamentais para, por exemplo, você puxar informações na hora da prova. Ou também, para você se lembrar dos momentos mais importantes da sua vida.
Como otimizar a memorização
Para melhorá-la, tanto a de curta quanto a de longa duração dependem de uma série de hábitos que, se mal praticados, atrapalharão fortemente sua memória. Então, cuide deles!
1- Sono

O sono faz parte desse processo de formação de memórias e ele, ao contrário do que muitos acham, não é um processo passivo e o corpo não faz nada. Mais especificamente durante o sono profundo, o hipocampo reproduz as informações aprendidas no dia, enviando-as para o córtex. Sem um bom sono a informação pode ser facilmente perdida.
2- Alimentação

O cérebro, apesar de pesar cerca de 1,5 kg, consome 20% da energia do corpo. Então, ele precisa de sustentação e nutrientes, que são adquiridos na alimentação. Sem uma alimentação de qualidade, seus neurônios não conseguem funcionar da melhor maneira
3- Exercício Físico

O exercício físico faz com que você ative seu corpo, e isso promove uma série de mudanças. Quando sua circulação começa a ser ativada, seu cérebro remove o “lixo” mental e ainda ocorre uma série de liberações químicas que preparam o cérebro pra aprender.
Estratégias para lembrar de tudo que estudou
Agora, vou te ensinar técnicas de estudo mais avançadas para que você fixe o conteúdo nas profundezas da sua mente. O conjunto dessas técnicas se chama estudo ativo. Ao invés do estudo passivo que muitos fazem, por exemplo, ao somente reler o material para revisar, nesse tipo você vai realmente se esforçar para aprender, e é no esforço que os resultados vêm.
Os primeiros princípios dessa técnica são achar um ambiente confortável, silencioso e sem celular (desligue-o e coloque em outro cômodo, se possível). Agora você deve se concentrar e prestar atenção nas dicas a seguir:
1- Explique o que está estudando e mentalize

Comece lendo ou recebendo informações do conteúdo e, à medida que você o capta, formule mentalmente um esquema sobre o que você aprendeu. Faça como se fosse uma visão geral da matéria. Se for algo visual, imagine o cenário. Explique esse conteúdo mentalmente para si mesmo. Se você não conseguir formular nada, é sinal de que precisa voltar e reaprender.
Após terminar o que você viu e dar um tempinho da última vez que teve acesso ao conteúdo (para gerar um leve esquecimento que é necessário para o processo ~ 1 hora/no fim do dia/na manhã seguinte), pegue uma folha de papel (ou chame algum amigo seu) e tente explicar conceitos que você viu, mas sem consultar o caderno ou a internet, tudo apenas da sua mente. Simplifique conceitos complicados e finja que você quer explicar aquilo para uma criança de 7 anos. Essa é a famosa técnica de Feynman.
Esse ato de tentar resgatar da memória informações faz com que os circuitos cerebrais se fortifiquem e seu cérebro entenda que esse conhecimento é importante. Após isso, você perceberá que deixou algumas lacunas. Isso é completamente normal e fundamental para identificar onde você falhou. Basta olhar agora para suas anotações originais, comparar com o que escreveu no papel e revisar o que errou.
2- Mapas Mentais e Flashcards

Você com certeza já deve ter ouvido esses dois termos, e eles podem te ajudar bastante. O mapa mental é um esquema em que você resume um conceito visualmente. Pegue uma folha em branco, coloque o conceito no meio e puxe ramificações e linhas, com os subtópicos essenciais. É muito importante que você faça desenhos e use cores, porque estudos já comprovaram que isso faz você aderir melhor ao conteúdo. E o guarde.
Depois de um tempo (mesmo conceito do “esquecimento” curto), você pegará outra folha em branco e repetirá o processo. Logicamente, use apenas sua massa cerebral, sem anotações extras ou sem pesquisar no Google. Assim que terminar, compare o resultado final com o mapa mental que foi feito anteriormente. É basicamente o mesmo processo: você vê onde falhou e revisa. Isso trabalha a memória de longo prazo, fortificando-a.
Já os flashcards também são muito úteis. Recomendo o uso de um aplicativo, como o Anki, pois são muitos papéis e você pode acabar se perdendo. Na primeira página, você escreverá apenas o nome do tópico que quer fixar e adicionar perguntas abertas. Na outra parte, você escreverá a resposta. Agora comece: leia o primeiro verso, pegue uma folha e anote a resposta para a pergunta ou tudo que se lembrar do tópico e compare com o que está escrito no outro verso. Veja o conteúdo grudar na sua mente.
3- Questões

Essa é uma das mais importantes partes para quem estuda. Se você somente souber a teoria, mas não a praticar, você não aproveitará 100% do seu estudo. Se não tiver nenhum material com questões do tema que você quer aprender, invente-as. Mas priorize as que exijam resposta aberta, pois precisa de mais esforço para responder e é justamente você saber articular por escrito que ela se torna um bom treino.
4- Revisão Espaçada

Essa parte é a responsável por que você não se esqueça do conteúdo da noite pro dia. Nosso cérebro tem uma espécie de “lixão” interior e ele varre o que ele identifica que não faz sentido guardar. Agora, se você vê o conteúdo com certa frequência, seu cérebro interpreta aquilo como interessante e fixa o conhecimento mais fortemente.
Uma boa estratégia é fazer uma revisão pouco após estudar, geralmente feita no final da noite, outra na manhã seguinte, uma 7 dias depois, outra 30 dias depois, etc. E daí, você vai revisando com questões, vê onde falha, para repetir o processo de novo. Mas claro que você pode testar e ver qual faz mais sentido para você. Para mim, essa estratégia faz sentido e eu consigo fixar a matéria por muito mais tempo do que se eu somente revisasse uma vez.
Conclusão
Após esse post, espero que você tenha aprendido um pouco mais sobre o processo do aprendizado e aplique as dicas para melhorar os seus estudos. Esse foi uma postagem um pouco atípica, porque parece que falou pouco sobre saúde mental. Porém, ele também está ligado ao tema. Quando você usa sua memória de uma forma ativa, você fortifica seus circuitos cerebrais e isso contribui para sua saúde cognitiva ao longo do tempo e para se manter mentalmente ativo.
Na próxima vez que você for estudar, lembre-se desse artigo e amplie suas capacidades!
Se você quiser aprender sobre mais temas, dê uma olhada no meu blog. Aproveite e tenha um ótimo dia!
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